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Com as novas tecnologias, que tipo de transformações podemos observar nos processos de Comunicação?
O modelo de comunicação que considera um emissor e vários receptores considerado pelos veículos de massa já não é mais o mainstream. Hoje a sociedade já aderiu ao modelo bidirecional dos meios digitais. É essa bidirecionalidade que dá espaço ao avanço de conceitos como a interatividade e a colaboração. Inclusive os meios tradicionais de massa, como a televisão, nos últimos dez anos passaram a estimular a interatividade com seu telespectador, pois notaram que a sociedade já não é prioritariamente passiva, como antes do surgimento dos meios digitais.
Você concorda com a afirmação de que atualmente “vivemos no mundo da informação”? Por quê?
Claro! Teóricos de diferentes áreas fizeram tal afirmação e nós, usuários das mídias, presenciamos seus efeitos no dia-a-dia. Se antes tínhamos menos de dez canais de TV, hoje temos mais de 150. Além disso, em seu cotidiano, uma pessoa comum é estimulada a consumir informação de todos os tipos, através dos mais variados meios: jornal, revista, portais de notícias na internet, redes sociais etc. É a tal da Era da Informação que modificou nosso modelo econômico. Aprendemos a valorizar o conteúdo informacional de um produto de consumo. Diversos aparelhos como o celular ou a própria televisão já não são tão caros como antes. Por outro lado, cada vez mais gastamos dinheiro para assinar os serviços de informação oferecidos através destes aparelhos.
Os avanços tecnológicos apontam que vivemos uma fase de convergência de mídias. De que forma isso muda nossas relações pessoais e profissionais?
A convergência das mídias propunha a ideia da multiplicidade de serviços a partir de um único aparelho. Em breve a televisão da sala será capaz de desempenhar diversas tarefas que hoje realizamos apenas pelo computador. Mas hoje já existe um bom exemplo de convergência das mídias: o smartphone. Com ele é possível não só realizar chamadas telefônicas, mas também acessar a internet, ver um canal de TV e também tirar fotos. A convergência das mídias acaba por estimular a "cultura do disponível" e algo que chamo da "era da exposição". Ambos os conceitos estão atualmente redefinindo os limites entre público e privado, bem como a relação entre pessoal versus profissional. É cada vez mais comum ver pessoas que possuem canais de contato como o celular, email ou mesmo as redes sociais e fazem uso desses canais tanto no ambiente pessoal como no profissional. Essa prática impossibilita a separação desses ambientes permitindo que assuntos particulares ocupem o horário de trabalho, bem como assuntos profissionais acabem por invadir o espaço de lazer daquele profissional.
Na sua opinião, o crescimento do uso da Internet pelos brasileiros provocará mudanças nos meios de comunicação convencionais, como o rádio e a televisão?
Como disse, já estamos assistindo essas mudanças. A televisão já percebeu que seu telespectador não assiste mais a TV passivamente, como antes. O telespectador de hoje é mais interativo, participativo. Vem daí o sucesso do formato reality show nos últimos dez anos. Recentemente muitos programas, bem como os próprios atores e apresentadores, passaram a interagir com seu público pelo Twitter. Esse também é outro fenômeno de reação a uma demanda criada pelos telespectadores que hoje assistem à TV enquanto interagem pelas redes sociais.
Como você imagina que será a televisão do futuro? As novas tecnologias provocarão transformações além dos recursos técnicos (como qualidade de imagem, opções de escolha de ângulos de câmeras etc.), alterando também a programação dos canais?
O conteúdo da televisão vai mudar, mas de maneira lenta e gradual, assim como foi com a evolução dos reality shows. Por outro lado, rapidamente veremos surgir novos serviços e produtos, estimulados principalmente pela tendência do Branded Entertainment. Marcas começarão a dominar esses espaços, assim como hoje já acontece com o rádio, como é o caso das emissoras Mitsubishi FM, Oi FM etc.
A televisão pelo celular já é uma realidade, embora ainda pouco acessível. Como você pensa que será a relação de interatividade entre os canais e os telespectadores a partir dessa tecnologia?
A TV no celular já é uma realidade também no Brasil. Basta andar de ônibus para conferir. E seu sucesso se dá em especial no Brasil, pois nossa sociedade tem um apego maior pela televisão do que qualquer outro meio. Enquanto em outros lugares, durante uma viagem de ônibus ou metrô, a preferência ainda é pelo livro ou pela revista, aqui no Brasil já é comum ver pessoas assistindo TV pelo celular.
Como você acha que será a consolidação da convergência TV/ Internet? Por exemplo: um telespectador que, ao assistir ao programa, irá dialogar com aquele assunto por meio de seu controle remoto.
Precisamos esquecer o modelo tradicional do aparelho de TV e do computador. Também devemos tirar da mente a imagem das suas interfaces, como controle remoto, o teclado e o mouse. No lugar disso tudo, imagine um aparelho na sala de casa que pode exibir canais de TV ou programações solicitadas sob demanda, como os atuais pay-per-views. Além disso ele também poderá exibir na tela serviços que atualmente são oferecidos exclusivamente pelo computador conectado à internet. E claro, esse mesmo aparelho é capaz de reproduzir conteúdos arquivados em mídias como o dvd ou o pen drive. É esse mesmo aparelho que gerencia o sistema de comunicação, seja o telefone de voz, o e-mail ou o SMS. Esse é provavelmente o aparelho que teremos em nossas casas muito em breve, pois a tecnologia já está à disposição. Aqui em minha casa eu tenho um computador que realiza todas as operações que eu citei acima, porém ele ainda tem o aspecto de um computador tradicional, com teclado e mouse.
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